29/01/2021

UNICEF: Pandemia afastou 5,5 milhões de alunos das escolas

Estudo conduzido pela UNICEF em parceria com o Instituto Claro e Cenpec Educação mostra que 5,5 milhões de estudantes com idade entre seis e 17 anos (1,38 milhão de pessoas) deixaram de estudar presencial ou remotamente - em 2019 a média nacional foi de 2%.

Além disso, 11,2% dos estudantes (4,12 milhões) que diziam estudar não haviam recebido nenhuma atividade escolar e também não estavam em férias. A soma de ambos os grupos leva a 5,5 milhões de jovens que não estudaram na pandemia.

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2019 O Brasil tinha 27,7 milhões de estudantes na educação básica em escolas públicas.

O aumento do abandono vem sendo apontado por especialistas como a pior consequência imediata da pandemia na educação. A médio e longo prazos, isso se reverte em aumento da desigualdade social, uma vez que o nível de renda está diretamente associado ao estudo.

No Rio Grande do Sul, 3% dos estudantes de seis a 17 anos estavam fora da escola em outubro do ano passado, abaixo da média nacional de 4% – o Estado tinha 2,3 milhões de matrículas em 2019, segundo o Inep. O pior desempenho é o de Roraima (15% dos alunos sem estudar), e o melhor, de Sergipe e Minas Gerais (2%).

A etapa com pior índice de interrupção dos estudos a nível nacional é o Ensino Médio, no qual 5,1% dos estudantes não frequentavam a escola em outubro. O pior cenário é na Região Norte (7,3% de jovens sem estudar) e o melhor, no Sudeste (4,2%). No Sul, a taxa é de 4,4%, melhor do que a média brasileira.

Estudantes negros e indígenas tiveram menor acesso do que brancos, o que, segundo a análise, reforça a necessidade de políticas públicas voltadas a esses grupos.

O relatório cita dados da Pnad Contínua que mostram que a Região Sul teve os menores índices de estudantes fora da escola no Ensino Fundamental 1 – 2,6%. Na outra ponta, na Região Norte, a taxa de abandono foi de 7,9%. No Ensino Fundamental 2, o abandono no Sul cai para 1,9% (acima do Sudeste e Centro-Oeste).

Os dados mostram que "a pandemia afetou mais a vida escolar daquele perfil de estudantes que já era mais impactado pela cultura do fracasso escolar: meninas e meninos negros e indígenas, nas regiões Norte e Nordeste", aponta o estudo.

A permanência dos jovens na escola, diz a análise, é resultado "dos esforços das famílias e de suas condições objetivas de promoverem os acessos que as atividades remotas demandam", diz a pesquisa.


As aulas começaram a ser interrompidas no Brasil em março, com o registro dos primeiros casos oficiais de coronavírus. Governadores, prefeitos e analistas em educação reclamaram da falta de atuação do Ministério da Educação (MEC) para elaborar ações que norteassem gestores do país. Como resultado, cada rede teve que se organizar para pensar em um jeito de manter as aulas de forma remota.

Uma boa notícia é que, entre julho e outubro, a frequência escolar dos brasileiros entre 11 e 17 anos aumentou – segundo o estudo, isso sugere que o esforço de gestores "das diferentes instâncias dos sistemas educacionais e de familiares pelo aporte de mais e melhores condições de acesso às atividades vêm alcançando resultados positivos". No entanto, caiu ligeiramente o engajamento de crianças de seis a 10 anos.

O relatório destaca que a crise econômica advinda da pandemia reduz a arrecadação de impostos, que são a principal fonte de financiamento da educação pública. “Esse cenário pode ameaçar a garantia do direito à educação, expresso pelo acesso, permanência e sucesso escolar”, diz o estudo.

O balanço tende a agravar a situação que era vista em 2019, quando 2,1 milhões de estudantes foram reprovados no Brasil, cerca de 620 mil abandonaram a escola e mais de 6 milhões estavam em distorção idade-série (atrasados no ano).


  

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